domingo, 27 de julho de 2008

Geração Coca-Cola

Os jovens já não têm mais esperança. Já desistiram de lutar sem nem mesmo terem começado. Herdaram o senso de imediatismo advindo desse capitalismo tão paradoxal e acharam no computador um escudo pra se esconder desse assustador mundo real.

Os jovens já não vestem nenhuma bandeira, os jovens hoje são orgulhosamente ecléticos. Não que eu ache que adotar uma causa desenfreadamente seja algo louvável... Apenas acho que isso denota algum tipo de criticismo; criticismo esse necessário pra se viver e pensar autonomamente.

Os modelos, os heróis, os ícones, os mestres e os grandes pensadores que - a poucos - servem de amparo a essa geração tão carente de tudo, moram apenas nos livros e na memória de nossos avós.

O jovem de hoje é tão alienado que nem se dá conta de que precisa de salvação, de ajuda. Salvar-se dessa lógica automatista que a cultura, desde a vida uterina, nos obriga: estudar, trabalhar e constituir família.
É claro que nesse ínterim se faz coisas muito relevantes e incríveis como ir ao Mc Donalds, ir ao cinema, assistir as novelas da Globo, ir pra balada, etc.

Mas onde se perdeu -se é que um dia existiu- a liberdade de escolha ? Muitos julgam serem livres por escolherem, por exemplo, um curso que gostam para cursar na faculdade. E aí ?
Será que o desejo de estudar e de trabalhar é um desejo TEU ou um desejo que fizeram tu desenvolver porque é conveniente pra uma minoria que controla a máquina que ajudamos a funcionar ?
Até que ponto a normatividade da sociedade é imperativa nas "nossas" vontades ?
Muitos usam do argumento de que precisa-se ter estudo e trabalho pra viver. Quem disse ? O mendigão ali da esquina tá tri vivo, e já conversei com alguns cuja noção de realidade e auto-consciência me deixaram embasbacada.

Não é o dinheiro que vai te propiciar felicidade. O dinheiro te compra pílulas de alegria momentânea e pode te fazer crer que és feliz porque tens um conceito de felicidade totalmente moldado pela mídia e pela cultura; mas o conhecimento do mundo e o conhecimento reflexivo é que tem o verdadeiro poder de te libertar desse mundo cruel, e assim, poder encontrar o que é a TUA felicidade.

Quem é que vai liderar a próxima revolução ? Quem é que vai dar a vida em nome de um ideal ? Quem é que vai ver positivamente a força motriz por trás dos atos de terrorismo ?
Eu é que não!

P.S.: Logo ao terminar de escrever isso, fui na página principal do UOL e eis que encontro essa pequena matéria super pertinente.

Relacionamentos

A necessidade de racionalização e o instinto de auto-preservação que me acometem ao iniciar uma relação, faz minha mente criar barreiras intransponíveis que ocultam, horas uma Laura alegre, dada, extrovertida e que sabe se fazer gostar; horas uma Laura fechada, retraída, sem graça e indigna do apreço de alguém que possua critérios mínimos.

É claro que, se essa guerra mental fosse travada em tempo real, poderia instaurar à força uma supremacia da Laura interessante sobre a Laura desinteressante.
O que ocorre é que a Laura incessante forja uma hierarquia que faz com que se instale um pedestal imaginário sob o preeminente ser com o qual me relaciono, que muitas vezes faz com que eu, sem motivo aparente, me sinta diminuta (com 7ª menor).
Pedestal esse que me tira todo o direito de errar, de falar merda, de ser um pouquinho insuportável; enfim, de ser normal. Exijo a minha mais perfeita performance... Papos agradavelmente desenvoltos, tiradas geniais, olhares estrategicamente lançados no momento
certo, e a harmonia perfeita entre todos os elementos que determinam quão interessante alguém é.

E como, ao contrário do que prega o best seller da estação passada (e conseqüentemente, o bando de otários que nela devotam sua carente fé), quem muito quer, pouco tem; eu devo estar querendo demais.

Fazer listinhas de tópicos de assuntos inteligentes abordados de forma despretenciosa, preparar previamente algumas piadinhas possíveis, gastar horas em detalhes totalmente irrelevantes como a cor do scarpin a ser usado são alguns dos meios pra driblar meu total despreparo e falta de domínio sobre qualquer relação... seja com a síndica do prédio, seja com um peguete em potencial.

Fiquei com vontade de registrar o fato que desencadeou a reflexão e as posteriores conclusões aqui expressas; mas, como é a Laura inconstante que redige tal parágrafo, prefiro evitar um
possível arrependimento em fazê-lo.